Palácio Seixas – Messe de Cascais


O mar foi para a criação e desenvolvimento da Vila de Cascais, um factor de excepcional importância.

Na segunda metade do século XV toda a costa de Cascais até Oeiras era totalmente deserta.


O comércio vindo pelo mar, levou a fixação de um grupo populacional, e pode afirmar-se que o progresso de Vila foi devido quase exclusivamente ao desenvolvimento da navegação.

Em 1531, D. João III resolveu fortificar a Barra de Lisboa, mas o esforço deste monarca limitou-se em mandar construir um pequeno forte que se erguia sobre os rochedos na Foz do Rio Tejo (Bugio).

Com a restauração da Independência em 1 de Dezembro de 1640, começou a tomar corpo a construção da linha de Fortalezas da Defesa da Costa, com a chegada dos engenheiros Cosmander (Belga), Nicolau de Langres (Francês) e Gillot (Holandês), que as planearam. D. João IV nomeou D. António Luiz de Meneses, terceiro Conde Cantanhede e primeiro Marquês de Marialva, patriota fidalgo de grande prestígio militar e de administrador, para superintender aos trabalhos que se prolongaram até 1646.

Desta linha de defesa fazia parte o Forte de Santa Catarina (no local onde hoje se situa a Messe de Cascais).

150 anos mais tarde (1796), foram levantados novas plantas deste forte por Maximiano José da Serra, Sargento-Mor do Real Corpo de Engenheiros que, referindo-se a ele, afirmava: “Está dentro da Vila de Cascais, defende bem a Ribeira, por estar elevado sobre o plano do mar 15 palmos e é composto por bateria, quartéis e paiol. Tem guarnição, palamenta e está reedificado pelo Major Serra debaixo das ordens do Coronel Romão José do Rego. A artilharia em ferro, composta por uma peça de calibre 9 e três de calibre 24. Possuía 60 e 180 balas para cada calibre. A artilharia está capaz de funcionar”.

No princípio do século XIX, quando entraram em declínio alguns dos velhos fortes, Santa Catarina foi abandonado.

Em 1870, D. Luiz “O Rei Marinheiro”, escolhe Cascais (cidadela) como residência de Outono para a Família Real, vindo aqui falecer em 19 de Outubro de 1899.

Com a subida ao trono de D. Carlos, Cascais transforma-se definitivamente em Vila da Corte. No reinado deste monarca foram vendidas algumas velhas fortalezas da linha a famílias relacionadas com a Corte para nelas construírem as residências de veraneio. Santa Catarina entra no rol dos vendidos e foi definitivamente arrasado.

A família Aires de Ornelas constrói nos terraplenos do Forte de Santa Catarina a sua residência, que se manteve até que Henrique Maufroy de Seixas cerca de 1920 adquiriu a prioridade aos herdeiros Ornelas e constrói o Palacete Seixas, cujos trabalhos terminaram em 1932. 

O antigo Forte de Santa Catarina, depois Residência Ornelas e finalmente Palacete Seixas, é hoje propriedade da Marinha, “Messe de Cascais”, por legado testamentário de Henrique Maufroy de Seixas.