Nº 358

Novembro - 2002

O Farol de Santa Catarina instalado em 1888 no forte com o mesmo nome, constitui um verdadeiro “ex-libris” da Figueira da Foz, sendo uma referência obrigatória na promoção turística da Cidade e ocupando um lugar muito especial no coração dos Figueirenses.


Varanda do Farol mostrando o seu estado degradado.

Varanda do Farol mostrando o seu estado degradado.

Em 1969 foi desactivado como infraestrutura de assinalamento marítimo, tendo-se mantido no mesmo local por pressão da população que não suportava a ideia de ver o velho Forte amputado do seu Farol.

Contudo, após mais de trinta anos a sofrer a acção agressiva do vento e do mar, com episódicas acções de manutenção que na maior parte das vezes se resumiram a retoques de pintura exterior, entrou em acelerado processo de degradação, constituindo um problema grave de segurança para viaturas e peões que circulavam nas áreas adjacentes.

Eram sobretudo as peças metálicas pontiagudas do varandim, projectadas para os espaços públicos arborizados que constituíam o principal motivo de preocupação.

Era óbvio que alguma coisa tinha de ser feita e rapidamente...

Estando o Farol tradicionalmente associado à Marinha, de pouco valeria a explicação da impossibilidade de afectar verbas para a manutenção de uma estrutura já desactivada da sua função de assinalamento marítimo, restando a hipótese de sensibilização das Entidades Oficiais para a obtenção dos apoios necessários à execução dos trabalhos.

O Farol após a sua recuperação.

O Farol após a sua recuperação.

Do IPPAR e da Direcção Geral dos Monumentos Nacionais nem sequer foi obtida resposta, da Autarquia Figueirense, foi manifestada sensibilidade para o problema e forte vontade de ajudar, embora numa perspectiva de médio prazo.

Perante este quadro, restaria numa primeira fase, procurar a nível local um conjunto de boas vontades que permitissem uma rápida e adequada intervenção. Depois de obtida a concordância do Senhor Almirante Director-Geral da Autoridade Marítima para esta linha de acção, foram iniciados os contactos e desde logo ficou marcada a primeira iniciativa com um caracter algo inovador e com forte envolvência dos Meios Culturais Figueirenses. Pretendia-se reunir um grupo alargado de artistas plásticos, que a partir de um rebocador fundeado na Foz do Mondego, pintassem o Forte e o Farol sendo as obras posteriormente leiloadas e parte da verba apurada entregue à Comissão informal entretanto constituída: Os Amigos do Farol de Santa Catarina.

Esta iniciativa reuniu vinte e cinco artistas plásticos e permitiu angariar os primeiros apoios para as obras de recuperação do Farol. Contudo estas obras, após terem sido iniciadas, vieram a revelar um trabalho bem mais complicado, do que aquele que inicialmente tinha sido previsto, já que o estado de degradação da chapa obrigava à sua substituição integral. Para além disso, a reconstrução do varandim implicava a manufactura de moldes que permitissem reproduzir integralmente a estrutura anteriormente existente, mesmo nos pormenores mais simples. Nesta fase foi crucial o empenhamento dos administradores dos Estaleiros Navais “NAVALFOZ” que suportaram maioritariamente uma verba superior a cinquenta mil euros neste conjunto de obras. De realçar que para além dos administradores da “NAVALFOZ” a Comissão de Amigos do Farol de Santa Catarina era constituída pela Administração da “CONSULFOZ”, pelo artista plástico Mário Silva, para além do Capitão do Porto da Figueira da Foz.

Na parte final da obra foi extremamente importante o contributo do Pessoal Faroleiro em serviço no Farol do Cabo Mondego, que substituíram vidros partidos, reconstruíram circuitos eléctricos e até montaram uma pequena réplica da lanterna que permite manter uma luz de presença na estrutura do Farol.

Foi este alargado conjunto de boas vontades locais, que permitiram a execução desta obra que no dia 4 de Abril foi simbolicamente entregue à cidade da Figueira da Foz na pessoa do Senhor Presidente da Câmara Municipal, pelo Senhor Almirante Director-Geral da Autoridade Marítima.

O Farol de Santa Catarina totalmente reconstruído e remodelado vai continuar a marcar presença no Forte, onde foi montado há mais de cento e catorze anos, para contentamento de todos os Figueirenses e de todos os amigos da Figueira da Foz.