Nº 376

Junho - 2004

Património Cultural da Marinha

Faróis de Portugal

 

10FAROL  De  montedor

 

O farol de Montedor, o mais setentrional da costa continental portuguesa, viu a sua construção repetidamente adiada, embora desde cedo se fizesse sentir a sua necessidade.

O alvará da Junta Geral da Fazenda de 1 de Fevereiro de 1758, incluía-o entre os seis faróis que mandava edificar: Berlengas, Nossa Senhora da Guia, Fortaleza de São Lourenço (Bugio), São Julião da Barra, barra do Porto e costa de Viana.

A verdade, porém, é que, apesar de constarem deste alvará, nem a construção do farol de Montedor nem a de outros viria a concretizar-se, razão pela qual um decreto de 12 de Dezembro de 1826 determina, novamente, que se proceda à construção dos faróis de Montedor, das Berlengas do Cabo de São Vicente, do Cabo de Santa Maria e do Cabo Mondego.

O inspector de faróis, capitão de fragata Francisco Maria Pereira da Silva, no seu «Projecto de alumiamento marítimo para a costa de Portugal – descrição dos pontos ao longo da costa onde mais convém estabelecer novos pharóes», datado de 1872, incluiu, efectivamente, Montedor entre esses pontos:
«Montedór – È a primeira posição escolhida, principiando do norte, por ser a mais vantajosa d´aquella nossa costa marítima para estabelecer um pharol, que ficará a 30 milhas do pharol das ilhas Cies ou de Bayona.

Pereira da Silva preconizava a instalação de um farol de 2ª ordem, sendo o equipamento um dos «pharoes modernos lenticulares de Fresnel ou pharoes dioptricos» a substituir em faróis já existentes os «pharoes antigos com candieiros de Argand e reflectores parabolicos ou pharoes catoptricos». 

A Comissão dos Faróis e Balizas mais tarde criada, à qual presidia o Conselheiro Guilhermino Augusto Barros e em que tinham assento os contra-almirantes António Maria dos Reis, Bento Freire de Andrade e Francisco Maria Pereira da Silva, deu a sua aprovação, na sessão de 21 de Janeiro de 1882, ao parecer da sub-comissão de faróis e balizas encarregada de elaborar o plano geral de iluminação da costa de Portugal. Um dos faróis proposto era uma vez mais o de Montedor.

Por proposta de lei assinada por Fontes Pereira de Melo e Hintze Ribeiro, que integrava o plano Geral de Alumiamento e Balizagem, foi definido que o Farol de Montedor fosse equipado com um farol de 2ª ordem, eléctrico de três clarões brancos, acompanhado de um sinal de nevoeiro (sino tocado por movimento de relojoaria).

No entanto, a concretização definitiva do projectado farol só começa a adquirir contornos nítidos no seio de uma Comissão designada por portaria de 1902. Esta Comissão, presidida pelo Capitão-de-mar-e-guerra Joaquim Patrício Gouveia e integrando o capitão-de-fragata Júlio Zeferino Schultz Xavier e o primeiro-tenente Francisco Aníbal Oliver, vem finalmente, na sessão de 9 de Julho de 1903, a determinar a localização e o equipamento a instalar em Montedor.

Ultimado em 1908 e orçado em vinte e dois contos de reis, a edificação viria a concluir-se a em 1910, tendo o farol - 28 metros de altura (103 metros de altitude), entrado em funcionamento a 20 Março, conforme reza o Aviso aos Navegantes nº 2, de 22 de Fevereiro de 1910.

O aparelho óptico montado tinha estado instalado no farol de S. Vicente e é um aparelho lenticular de Fresnel de 3ª ordem, grande modelo (500mm de distância focal), dando 3 relâmpagos brancos. O aparelho iluminante é um candeeiro a petróleo de nível constante de quatro torcidas, produzindo-se a rotação da óptica através da máquina de relojoaria.

Em 1917 um grande furacão partiu vidros, arrombou portas e destelhou casas, provocando enormes estragos no farol. 
Foi equipado com um sinal sonoro em 01 de Janeiro de 1919. 

Local: Montedor
Altura: 28 m
Altitude: 103 m
Luz: Fl (2) W 9.5s
Alcance: 22 M
Óptica: 3ª ordem 500 mm
Ano: 1910

Em 1926 foi tapado um painel do aparelho óptico, passando o farol a emitir dois relâmpagos em vez de três, para não dar azo a confusões com o farol de Leça.

A fonte luminosa em 1936 passou a ser a incandescência pelo vapor de petróleo. 

Foi construída uma casa para o rádiofarol em 1939 e instalado o radiofarol em 1942 (desactivado em 2001 por ter perdido o interesse para a navegação).

O farol foi ligado à rede eléctrica de distribuição pública em 1947, passando a utilizar uma lâmpada de 3000W. O terreno pertencente ao farol até aí sem qualquer vedação, foi vedado com muros.

Em 1952 foi desmontado o sinal sonoro a ar comprimido e montada uma sereia eléctrica. O sinal sonoro retirado, foi montado no farol da Nazaré.

A sereia eléctrica que até então estivera montada numa base em cima de dois postes junto à casa de inspecção, foi transferida para uma estrutura construída junto ao mar em 1960. 
A potência da fonte luminosa foi reduzida em Março de 1983, sendo instalada uma lâmpada de quartzline de 1000W.

A 04 de Dezembro de 1987, o farol foi automatizado, tendo sido equipado com um novo sinal sonoro.

A 7 milhas a Sul da foz do Rio Minho o farol de Montedor é assim o primeiro farol da Costa Portuguesa.

 

Direcção de Faróis